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quarta-feira, 25 de maio de 2011

"Prefácio"

Este texto foi apresentado em aula na ESPM-RJ, pelo Prof. Antônio Carlos MORIM, ao qual agradeço a gentileza. Texto divertido e com interessante reflexão. Vale apena uns minutinhos.

"Prefácio"

Depois das gracinhas de hábito, era comum perguntarem a origem de um nome tão prosaico. Nas primeiras vezes, envergonhado, procurava mudar de assunto. Com o tempo, acostumou-se.
Seu pai, cidadão de pouca instrução, mas de boas intenções, não queria errar. O Almeida, encarregado da expedição na empresa onde trabalhava, moço estudado, presenteou-lhe com um livro, que trazia sugestões de nomes e seus significados.
Encantou-se com o primeiro nome do livro: "Prefácio". Era o que tinha a explicação mais longa; umas 3 ou 4 páginas. E se vinha em primeiro lugar, deveria ser o mais importante, como o Dr. Bonifácio, medico da cidade, ou do seu Acácio, dono do mercadinho, muito querido no bairro. Até pensou no diminutivo, "Facinho". Ficou Prefácio.
Mas o jovem Prefácio descobriu-se diferente quando foi completar seus estudos na cidade grande. As brincadeiras prosseguiram e, antes do final da primeira semana, uma colega de classe, penalizada, esclareceu-lhe o mistério. Foi quando ele descobriu que nunca mais seria uma pessoa comum.
Os anos se passaram e o jovem Prefácio foi aprendendo a conviver com o legado de seu bem-intencionado pai. Acostumou-se  a conversar com estranhos em qualquer lugar onde apresentasse documento. De vítima tornou-se um sujeito popular.
De todo modo, Prefácio era um nome único. Quase uma marca. Talvez por isso decidiu graduar-se em Marketing. Não podia ter feito escolha melhor. Nas aulas de planejamento de comunicação entendeu rapidamente as vantagens de um nome único, com potencial de garantir seu posicionamento na mente do público-alvo. Teve certa facilidade para ingressar no mercado de trabalho, sensibilizando o dono de uma agência de comunicação com a teoria de que os planos de comunicação da agência deveriam ter sempre um bom Prefácio.
Ampliou seu círculo de relações profissionais com a facilidade proporcionada pela curiosidade. E fazia muito sucesso com as mulheres, estimuladas pela curiosidade de conhecer um homem que, a julgar pelo nome, valorizava as preliminares (Prefácio sempre arrumava um jeito de dizer que era bom de introdução).
Enfim, o nome garantiu ao bom Prefácio uma vida feliz e confortável. Eis por que, casado e aguardando a chegada de seu primeiro filho, Prefácio preocupava-se com a escolha do nome de seu "produto",cuja importância reconhecia por experiência própria.
Pensou em sinônimos, como Prolegômeno, Intróito ou Introdução, mas ficou receoso dos potenciais diminutivos e apelidos (Goma, Totó e Duca). Chegou a considerar a possibilidade de algo mais moderno, como Internet. Mas ficou imaginando que se seu pai houvesse trilhado o mesmo caminho, provavelmente ele se chamaria algo como Transistor ou Microondas
O pai, já aposentado, sugeriu uma consulta ao velho Almeida, agora seu companheiro de dominó vespertino. Almeida, foi categórico: Pra mim, nome tem que ser uma coisa simples e comum. Que tal José?
Prefácio adorou a sugestão, mas como não gostava de nomes duplos, como seu pai, ficou só com o primeiro. Resta torcer para que o pequeno Quetal tenha a mesma sorte do pai, quem sabe na área de consultoria.
Do Livro "Tirando o Macaco", de Flávio Ferrari, Ed. Biruta.

2 comentários:

  1. Valeu Fernando , muito bom o blog. Muito Sucesso para ti !!Abraços!!

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  2. Fernando, ótimo texto de início. Nada melhor como um bom texto para coroar o início de um ótimo trabalho! Desejo todo sucesso a você meu amigo! Forte abraço!

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